Omar Costa Ribeiro: Ordinários, marchem!

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Terça-Feira, 08 de Outubro de 2019

A ignorância concebe a educação como sendo as fileiras alinhadas, as fardas bem passadas, os cortes padronizados e as redinhas nos cabelos. Os ignorantes dizem: com as escolas cívico-militar não existirão os inquietos dentro das escolas; não teremos os que não gostam de matemática, não existirão os que realizam conversas paralelas, nenhum jovem subversivo atacará as regras. Com as escolas militarizadas os pais estarão livres de todos os problemas que comprometem a formação do “cidadão de bem”.  Confira a íntegra.

Uniformizador para ouvir:

“Ordinários!!! Marchem!!!”

Nesse instante, três coisas acontecem:

a) toda a tropa inicia a marcha;

b) todos marcam com o pé esquerdo e iniciam com o pé direito;

c) todos seguem a mesma direção.

E assim iniciamos a marcha em direção ao cemitério, cemitério para sepultar a diversidade. E com a morte da diversidade vai a morte dos poetas subversivos, a morte do Black Power, a morte do “cabelo rasta”, a morte do pensamento crítico, a morte do pensamento científico que é, originariamente, questionador das regras.

Essa é a triste realidade vinda do senso comum, do analfabetismo funcional e das “lideranças” nada democráticas. E porque não dizer, das representatividades que querem criminalizar a pobreza já tão massacrada.

Sim, a pobreza é o alvo. Esse modelo de escola será implementado nas escolas públicas acreditando que a droga se encontra apenas na escola pública, acreditando que os confrontos entre jovens e professores só acontecem nas escolas públicas, acreditando que os furtos só acontecem nas escolas públicas, que o desinteresse pela matemática e demais disciplinas só acontece nas escolas públicas. Já para o ensino privado, implantemos a BNCC – Base Nacional Comum Curricular –, com suas 10 competências que são norteadoras para atingirmos o que se almeja no século XXI. Para a educação privada vamos incentivar o conhecimento, o pensamento crítico, científico e criativo, o repertório cultural, a comunicação, a cultura digital, o trabalho e projeto de vida, a argumentação, o autoconhecimento e autocuidado, a empatia e cooperação, a responsabilidade e a cidadania.

Aos pobres, tanto aos 85% dos jovens que estão nas escolas, que são estudantes de escolas públicas, quanto aos pais, que terão que colocar seus filhos num ambiente que não respeita sua individualidade, o que resta?! Só resta comemorar, achando que a educação se faz com regras rígidas, não mais compatíveis com o século XXI, regras que não atendem às demandas da nova sociedade que se constrói. Aos ricos, um projeto alinhado com o futuro; aos pobres, um projeto que impede a autonomia. Afinal, pobre tem mesmo que se contentar com a subserviência das demandas dos ricos, dos que serão patrões.

As escolas militares devem existir, porém para os militares, para os iguais, para a formatação de indivíduos subservientes, para aqueles que realizam serviços nos quais não cabe a diversidade, o questionamento. Infeliz decisão do governo que, erroneamente, acredita que essa é a saída para a educação do Brasil!!!

Vitória da Conquista, 06 de outubro de 2019

Omar Costa Ribeiro 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do SBlog Alô Cidade.


Foto: BLOG DO ANDERSON


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